Na contramão da sociedade do Consumo
- Gabriela Moura
- 20 de set. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de out. de 2018

Segundo o relatório anual da A New Textiles Economy: Redesigning fashion’s future de 2017, Indústria da Moda, uma das maiores em movimentação econômica do mundo, é responsável pela circulação de quase 2,4 trilhões de dólares anualmente ao redor do globo, isso a colocaria como a 7ª maior economia do planeta se ela fosse um país.
No Brasil, esse mercado não é diferente. O país é quarto maior produtor de malhas do mundo, aqui existem mais de 29 mil empresas relacionadas a este comércio e o faturamento da cadeia têxtil e de confecção gira em torno de US$ 45 bilhões. segundo dados de 2017 da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e Comércio.
Toda essa produção em massa gera um impacto social e ambiental. Ainda segundo dados do relatório anual, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros sanitários. Por ano, 500 bilhões de dólares são jogados fora com roupas que foram pouquíssimo usadas e que quase nunca são recicladas.
E o que tudo isso tem a ver com a sociedade? Essa pesquisa veio para comprovar o quão alto é o grau de consumo da sociedade moderna. Fazendo uma contabilidade de 2000 a 2015, a pesquisa mostrou que o número de vendas de roupas aumentou enquanto a utilização desta, diminuiu, ou seja, consumimos muito e utilizamos pouco aquilo que consumimos.
Isso, não gera somente um impacto na economia, mas principalmente no meio ambiente. Quanto mais se produz para a sociedade consumista, mais se utiliza recursos naturais, que tecnicamente são jogados no lixo após a quase não utilização da peça e ainda, sem o menor reaproveitamento de materiais ou devido fim ao produto. Ou seja, em toda a cadeia, o Meio Ambiente é agredido, desde a produção até o despejo.
Por isso, inspirado no movimento Slow Food, 1986, idealizado pelo jornalista Carlo Petrini, surgiu uma corrente na Indústria da Moda, o Slow Fashion, que prega, em sua base, os mesmos ideais, garantir a qualidade de fabricação e um futuro sustentável.
Em uma pesquisa feita para a Disciplina de Webjornalismo do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão, constatou que muitas pessoas ainda não conhecem esse termo. De uma amostra de 21 respostas, 14 revelaram não saber do que se trata o Slow Fashion.
Quando perguntadas sobre seu perfil de consumo, sendo 1 pouco consumista e 5 muito consumista, todas as respostas variaram de 3 para cima, essa com 16 pontos.
Então, do que se trata do Slow Fashion? Esse conceito foi criado em 2008 pela inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion, que consiste em uma outra forma de se consumir roupas.
Na contramão das produções de roupas em massa, o movimento Slow, prioriza um cuidado com todas as etapas de produção de uma peça de vestuário. Desde a colheita do algodão até a volta dessa peça para o ecossistema. Ou seja, revela todas as correntes eco, verdes e éticas da indústria.
Dentro desse conceito existem algumas características bem fortes como:
Incentivo a Ética, tanto produtiva como de consumo
Olhar além da compra, observar o meio, o como uma peça foi produzida
Menor Consumo
Durabilidade da Peça
Diversidade
Valorização da Produção Local
Preço Real da Peça - Rentabilidade
Esse é um conceito que ainda não é forte no contexto do Estado do Maranhão, mas já tem crescido no Brasil. Já existem diversas marcas que produzem e comercializam os mais diversos produtos, roupas, sapatos, bolsas, gravatas e mais, tudo com toda a preocupação e ética que o movimento Slow se preocupa.



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